HOSPITAL DO CÂNCER DE UBÁ

A demanda de um hospital oncológico no município de Ubá, cuja população precisa se deslocar a municípios distantes para tratamento, vem sendo uma crescente preocupação popular e política. Em resposta a esta demanda foi solicitada a construção de um complexo hospitalar que pudesse oferecer um tratamento abrangente dos pacientes, com quimioterapia, radioterapia, exames, cirurgia, etc. As dimensões do lote adquirido respondem a este ambicioso horizonte de tratamento integral capaz de atender um grande volume de pacientes, uma vez que, embora num momento inicial a construção prevista não demande uma área desse porte, há intenção de futuras ampliações. Desta forma, foi solicitado um estudo de projeto inicial para visibilizar as possibilidades de realização de um hospital de uma área aproximada de 12.000m² que possa permitir crescimento indeterminado posterior.

 

O lote está localizado junto à rodovia que conecta os municípios de Ubá e Visconde do Rio Branco. A porção de lote junto à rodovia é parte da várzea do curso d’água que acompanha a estrada e é predominantemente horizontal, em oposição a uma segunda porção de lote, afastada da estrada, que possui relevo acentuado.

 

Devido à localização não urbana do lote, a bolsa de estacionamento de grande porte que seria necessária para um hospital de tais dimensões levou a pensar que a implantação do edifício deveria ocupar parte da área não horizontal. Assim, as edificações estão localizadas na encosta e suas proximidades, restando a parte frontal para estacionamento arborizado. Além de afastar a edificação do inconveniente ruído que os veículos em alta velocidade da rodovia geram, a implantação tira partido da topografia para sua configuração espacial.

 

O programa foi dividido em dois grandes grupos funcionais: internação –de caráter mais sossegado e de repouso– no edifício superior, afastado do térreo e blocos inferiores que foram dedicados ao resto de usos –com um programa de atividades de caráter mais movimentado e diurno–.  Um vazio gerado entre a encosta, os edifícios inferiores e o edifício superior serve como grande distribuidor dos principais fluxos verticais e horizontais, assim como área de estar no térreo, que concentra o uso público mais intenso. Este vazio interno, embora protegido do sol e da chuva, é área externa, o que é possível em termos de exigência hospitalar devido aos blocos serem independentes e isolados do exterior. A cobertura desta faixa intermediária entre os blocos inferiores e o superior serve também como uso comum, solário, para os pacientes do bloco de internação, cujo térreo está na mesma cota.

 

Tanto os blocos inferiores como o superior permitem comprimento variável em função da demanda de espaço e possuem largura adequada que permite –além condições propícias de ventilação e iluminação natural– localizar os pilares apenas no exterior, descomplicando as constantes modificações internas caraterísticas dos hospitais atuais. Este esquema de blocos inferiores independentes + vazio central de circulações/estar + bloco superior de internação pode ser replicado e extendido ao longo do lote acompanhando e alterando a topografia de maneira similar à proposta inicial.

Projeto de arquitetura: Fernando Delgado e Isabela Canêdo

Colaboração: Carolina Rocha, Julia Spadari, Lívia Assad e Maicon Bezerra

Estrutura: Luiz Alberto Miranda (consultoria)

Localização: Ubá-MG (Rodovia MG 447 - Km 7,9)

Data início: 2016

Área construída: 12.640m²

Área total: 47.238m²

Estado: Estudo concluído